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Ato convocado pelo 39º núcleo do CPERS confrontou governador quanto a políticas de arrocho salarial e sucateamento da educação

A primeira sessão do ano da Assembleia Legislativa, nesta terça-feira (20), em Porto Alegre, foi marcada por um protesto de professores(as), funcionárias(os), aposentadas de escolas de Porto Alegre, que questionaram o governador Eduardo Leite (PSDB) sobre a política de sucateamento da gestão pública da educação deflagrada pelo seu governo.
Com faixas e cartazes, o grupo ocupou parte do plenário e entoou palavras de ordem para denunciar a falta de reajuste salarial – que, no caso dos funcionários de escola é de 10 anos. Além disso, o confisco (um roubo) dos valores da insalubridade retroativa de merendeiras e setor da limpeza das escolas. O fechamento de turmas de EJA, o esvaziamento de NEEJAs, como a tentativa de transferência do NEEJA Paulo Freire, também foi motivo de cobrança.

A presença significativa de aposentadas foi para denunciar a apropriação dos triênios (adicional por tempo de serviço) pelo governo Leite para incluir no subsídio (antigo Básico) , com a mudança do Plano de Carreira, em dezembro de 2019, ao invés de reajustar o valor deste. Motivo de revolta de professoras que entoaram a palavra de ordem ” O triênio perdido, não foi esquecido!”

Em um dos episódios mais emblemáticos da sessão, o grupo manifestou ampla indignação quando o governador, durante seu discurso, comentou sobre a privatização da CEEE. Ao lembrar do caos de falta de luz registrados em Porto Alegre e todo o estado, o grupo começou a gritar “CEEE pública! CEEE pública!”. Nesse momento, o governador se dirigiu diretamente aos manifestantes e os acusou de “incoerência”.

No entanto, a diretora-geral do 39º núcleo do Cpers, Neiva Lazzarotto, comenta que a atividade obteve êxito justamente porque expôs a falta de coerência do próprio governo Leite.
“Nossa atividade foi exitosa porque conseguiu desestabilizar o governador Leite. Chega de sofrimento e sacrifício para funcionárias, aposentadas, professoras e professores, e de abandono das nossas escolas, que é um direito da educação pública dos filhos e filhos da classe trabalhadora, em especial os das periferias da nossa cidade. Mais, é um absurdo defender a privatização da CEEE e dizer que a empresa tirava dinheiro que deveria ser para os nossos salários. O sucateamento das empresas públicas é projeto de governos neoliberais como o de Leite, para justificar a sua privatização”, destaca.
A professora Leonor Ferreira, aposentada, da Diretoria do 39° Núcleo, também reagiu, muito indignada, dizendo “Viemos dizer ao governador que não temos vantagens; os direitos que conquistamos foi com 33 anos de trabalho em sala de aula”.
O professor de uma das escolas que está sofrendo redução em matrículas do EJA, Jorge Nogueira, destacou a necessidade de constante mobilização ao longo desse ano letivo para barrar as medidas autoritárias de Leite. Nogueira afirma que, apesar do aumento da demanda de alunos, a SEDUC atua para reduzir a quantidade de vagas disponíveis.
“A mobilização é importante para derrotar a agenda destrutiva do governo. Na nossa escola, por exemplo, o governo se nega a atender demandas e fechou turmas”, ressalta.
Ao final da sessão, a deputada estadual Luciana Genro (PSOL) se dirigiu ao grupo para reforçar o apoio à defesa de uma educação pública de qualidade voltada aos filhos e filhas de trabalhadores.

Parte do grupo encontrou o governador Eduardo Leite, na saída da Assembleia Legislativa, quando voltou a cobrar o reajuste salarial com a palavra de ordem “Professor e funcionário, quase sem salário!”. Ao que o governador retrucou ” Não falta vontade, falta dinheiro”. Então, o grupo lhe respondeu que é responsabilidade do governante garantir receitas suficientes e os serviços públicos à população.

A Diretora do 39° Núcleo finalizou dirigindo-se aos colegas ” Agradecemos muito a presença de vocês, marcamos o governador “na paleta” com essa fala dele e a questão da CEEE. Vamos persegui-lo onde pudermos, como foi decidido no Conselho Geral do CPERS. Chega de sossego pra quem tira o nosso!”

Entre as escolas que integraram o grupo, estão Escola Estadual de Ensino Fundamental (E.E.E.F) Martins Costa Júnior, Escola Estadual de Ensino Fundamental (E.E.E.F) Brigadeiro Silva Paes, Escola Estadual de Ensino Médio (E.E.E.M) Agrônomo Pedro Pereira, dentre outras.

Contato para entrevistas: Neiva Lazzarotto-Diretora geral do 39° núcleo do Cpers e vice presidente estadual do Psol

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Marcelo Passarella
Jornalista